Acompanhamento ao exterior
A presença ativa de um profissional de saúde ou cuidador capacitado (frequentemente sob orientação de enfermagem), que assegura a integridade física, emocional e social da pessoa cuidada durante deslocações ao exterior do espaço habitual, minimizando riscos e promovendo a inclusão e autonomia.
🧠 Finalidades do acompanhamento ao exterior
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Consultas e exames médicos
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Garantir a presença em serviços de saúde (consultas hospitalares, clínicas, fisioterapia);
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Apoiar na mobilidade, compreensão de instruções médicas e registo de informação relevante.
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Realização de tarefas pessoais ou administrativas
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Apoio em deslocações a bancos, correios, juntas de freguesia ou lojas;
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Assegurar que a pessoa compreende e participa nos seus próprios assuntos legais e financeiros.
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Atividades de lazer e socialização
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Passeios terapêuticos, visitas ao parque, cafés, igreja ou eventos culturais;
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Promoção da saúde mental e emocional, combatendo o isolamento.
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Reabilitação e manutenção funcional
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Incentivo à marcha, à orientação espacial e à participação ativa;
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Parte integrante de planos de fisioterapia ou terapia ocupacional.
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👩⚕️ Enquadramento do enfermeiro no acompanhamento ao exterior
Embora o enfermeiro nem sempre acompanhe pessoalmente o utente ao exterior, é responsável por avaliar a necessidade, planear e articular este acompanhamento, garantindo que o mesmo ocorre com segurança e eficácia. Compete-lhe:
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Avaliar a condição clínica e nível de risco da pessoa para sair do ambiente habitual;
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Prescrever orientações específicas ao acompanhante (uso de ajudas técnicas, posicionamento, prevenção de fadiga, administração de medicação);
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Assegurar a medicação, documentação clínica e recursos necessários para a deslocação;
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Verificar a adequação do acompanhante (familiar, auxiliar, voluntário ou profissional);
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Incluir o acompanhamento no plano de cuidados individual;
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Receber feedback da deslocação e reajustar os cuidados conforme necessário.
⚠️ Riscos e precauções no acompanhamento ao exterior
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Quedas ou lesões em pessoas com mobilidade reduzida ou instabilidade;
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Desorientação ou perda, sobretudo em casos de demência ou défices cognitivos;
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Descompensações clínicas (ex. hipoglicemia, fadiga, crises respiratórias);
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Alterações comportamentais em ambiente não familiar;
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Exposição a temperaturas extremas ou ambientes inóspitos.
O enfermeiro deve antecipar e prevenir estes riscos com orientações precisas e medidas de segurança.
🧩 Equipa envolvida no acompanhamento ao exterior
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Auxiliares de ação direta ou cuidadores formais (sob supervisão do enfermeiro);
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Familiares ou cuidadores informais (com instruções claras);
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Voluntários capacitados e integrados em programas supervisionados;
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Profissionais de saúde em situações clínicas complexas ou de maior risco.
📌 Exemplo prático
Uma cliente pretende visitar o cemitério onde jaz o marido:
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A enfermeira avalia que a utente tem mobilidade limitada, mas está emocionalmente estável e capaz de comunicar.
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Planeia o acompanhamento por uma auxiliar, com cadeira de rodas, bolsa de emergência, medicação PRN e contacto telefónico.
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Dá orientações à auxiliar sobre como lidar com eventual sobrecarga emocional da utente.
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Após a saída, é feito registo da intervenção, com observações sobre o comportamento, tolerância ao esforço e benefício emocional.