Assistência Medicamentosa

Refere-se ao apoio direto e indireto na gestão e administração dos medicamentos prescritos, com o objetivo de:

  • Assegurar o cumprimento correto do regime terapêutico;

  • Prevenir erros de medicação, interações e efeitos adversos;

  • Promover a autonomia e segurança na toma de medicamentos;

  • Educar o utente e/ou cuidador sobre o uso racional dos fármacos.


🧴 Atividades incluídas

A assistência medicamentosa no âmbito dos cuidados de enfermagem pode incluir:

Organização da terapêutica

  • Leitura e interpretação da prescrição médica;

  • Organização da medicação em sistemas de toma (ex: blister, caixas semanais);

  • Planeamento dos horários e condições ideais para a toma (ex: jejum, com alimentos, distância entre doses).

Administração de medicamentos

  • Administração direta por via oral, tópica, injetável, oftálmica, entre outras, de acordo com a prescrição;

  • Supervisão da toma pelo utente ou cuidador, quando há capacidade parcial;

  • Monitorização imediata de reações adversas ou efeitos indesejados.

Avaliação e monitorização

  • Avaliação de sinais clínicos relacionados com a eficácia ou toxicidade da medicação (ex: tensão arterial, glicemia);

  • Observação da adesão ao tratamento e identificação de esquecimentos ou recusas;

  • Registo e reporte de alterações clínicas que possam requerer ajuste terapêutico.

Educação e orientação

  • Explicação clara ao utente e/ou cuidador sobre o nome, finalidade, dose, via e efeitos possíveis dos medicamentos;

  • Esclarecimento sobre interações com alimentos, álcool ou outros fármacos;

  • Reforço da importância do cumprimento terapêutico e das consequências do uso incorreto.


👩‍⚕️ Enquadramento profissional na enfermagem

A assistência medicamentosa é uma responsabilidade legal e ética da profissão de enfermagem, sendo essencial quando:

  • O utente não possui capacidade cognitiva, visual, motora ou funcional para gerir a própria medicação;

  • Existem múltiplos fármacos ou regimes terapêuticos complexos;

  • riscos associados a erros de administração, auto-medicação ou esquecimento;

  • O cuidador informal necessita de formação ou supervisão contínua;

  • É necessário garantir a segurança e eficácia do tratamento, sobretudo em cuidados domiciliários ou continuados.


🧠 Objetivos da intervenção de enfermagem

  • Avaliar a capacidade do utente para gerir a medicação de forma segura;

  • Assegurar a correta administração dos medicamentos prescritos;

  • Prevenir complicações decorrentes de erros ou omissões;

  • Promover a autonomia medicamentosa, sempre que possível;

  • Articular com o médico em caso de reações adversas, dúvidas ou necessidade de ajuste.


🧩 Importância multidisciplinar

A assistência medicamentosa pode envolver:

  • Médicos, para prescrição, avaliação e reajuste terapêutico;

  • Farmacêuticos, para esclarecimento de interações, trocas terapêuticas e ajustes na formulação;

  • Assistentes sociais, quando é necessário apoio económico para aquisição dos medicamentos;

  • Cuidadores formais ou informais, que participam ativamente na administração ou supervisão da toma.


📌 Exemplo prático

Num utente idoso com demência e polimedicação:

  • O enfermeiro organiza a medicação semanal num sistema de caixas diárias;

  • Administra a terapêutica crítica (anticoagulantes, insulina) e supervisiona a restante;

  • Identifica sinais de hipotensão que podem estar associados a duplicação de toma;

  • Contacta o médico para revisão terapêutica e orienta o cuidador sobre como evitar erros;

  • Educa sobre a importância de não interromper a terapêutica sem indicação médica.